Revolvendo o baú arcaico – VII – Onde?
Como é ingrato pertencer a este tempo!Relembro os lugares que tu pisaste. Comigo.
Piso-os agora… sozinho…
Não te vejo nos lugares dos quais já fazes parte…
Lembro-me deste jardim… Lembro-te perdida nele…
E agora? Tão vazio! Eu.
Lembro-me dos claustros. Contigo.
Abro os olhos e a arquitectura é dor.
Já nem me apraz a arte…
Lembro-me desta grande passagem…
Lembro-te sentada nas escadas que lhe acedem…
Estavas perfeita, como hoje…
Na minha memória…
É ingrato ser só quando já fui algo…
Vim à tua procura… não te encontro…
Corro, impaciente, a outro lugar…
Onde estarás tu?
Onde estarás… tu?
Que é feito da presença que a fotografia guardou destes lugares?
Que é feito da minha vida?
Que é feito da vida que derramou vida sobre esta pedra?
Que é feito da vida que estas letras desposam?
Uma vez mais me ajoelho perante ti e choro…
Onde estarás tu?
Onde estarás… tu?
Ariel d’Angoulême

