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Obsessão
Boca doce que me seduziu tão facilmente!
Cada palavra me algemava… hipnotizava.
E por detrás, o génio atroz que planeava
Um modo de me fugir… quão brevemente!
Ignóbil criatura, de pessoa disfarçada…
Cativando pela singular beldade e encanto…
Desdobra assim, sobre si, o vasto manto
Com que oculta a reflexão mais depravada…
“A ti, amor bravio, alma desumanizada,
Rogo que pagues por cada vida ceifada,
Rogo que pagues pelo amor que me morreu…”
"Meu querido – disse ela – olha para mim!
Não me calunies só porque chegou um fim…
Provocado pelo mal que me espelhas e é só teu.”
Ariel d’Angoulême
Redenção...
As casas são feitas de vidro…
Alguns habitantes têm olhos de fogo…
Observo-os, sentado no abismo…
Enquanto aguardo pelo apocalipse que varrerá a humanidade e toda a sua tralha…
Tralha da tralha…
Quero viver sozinho esse momento…
E serei mais persistente e ridículo que todos os outros…
Rei de mim…
Senhor das últimas pegadas que imprimi neste escoamento mundial, onde as casas são feitas de vidro…
…de vidro e de tralha…
E vou lembrar-te… despida de tudo.
Até de ti.
E vou desejar-te como se amanhã algum pudesse esquecer-me. Deter-me.
E vou afogar-me no fogo dos teus olhos.
Uma vez mais. Só… uma vez mais…
Os teus pecados seguem os meus.
Ariel d’Angoulême