Tuesday, October 16, 2007

Note
Este espaço irá congelar nos próximos tempos...
Seria indelicado da minha parte não deixar uma nota, uma vez que muitos de vós me dedicam parte do vosso tempo lendo e comentando… e deixando óptimos conselhos literários, entre outros…
Por tudo isto e muito mais… um Obrigado a todos.
Entretanto, vou visitando os vossos espaços sempre que me for possível e, obviamente, responderei a qualquer comentário deixado neste post ou anteriores…
Até breve…

Ariel d’Angoulême

Thursday, October 11, 2007

Revolvendo o baú arcaico V - Inacabado...
Quis pegar nas palavras mais dóceis
Para te encantar... para te descrever…
Mas as palavras apodreceram na minha boca
E disse o contrário do que queria dizer…

Ainda que indeterminado, me fui justificando…
Mentindo por mentir, apenas por ser sincero…
E resumo nas palavras que vou deixando:
Aceita que se te odeio é porque te quero.

… … … … …

Ariel d’Angoulême

Monday, October 1, 2007

Parum idoneus
Já passaram alguns dias desde que me curei…
E uma vez mais me entrego ao meu passatempo favorito: Deixar passar o tempo.
Essa passagem acontece nas coisas… e é nelas que atento.
As sombras agarram-se aos objectos e às paredes e dançam ao som de um derreter de cera contínuo… a chama consome o pavio…
Sete fios de fumo aromático serpenteiam pelo ar…
Um odor intenso. Distingo jasmim, canela e ópio entre eles…
A brasa consome o incenso…
O quarto, como sempre, adornado por pilhas e pilhas e mais pilhas de livros…
As pilhas dançam, cada qual ao sabor da fragrância escolhida…
Nunca coloquei quadros nas paredes! Ainda hoje me pergunto porque não o fiz!
Os quadros são óptimos dançarinos!
Por debaixo da cama continuam todos aqueles caixotes que arrancámos à vista de todos e… eis um quarto arrumado…
Um dia todos os caixotes se abrirão e de lá saltará a minha vida…
Saltará dos caixotes e cairá sobre as folhas rasgadas sobre os tapetes vermelhos sobre o chão frio…
Quem a vir ali estendida… talvez chore…
Quem a vir ali estendida… talvez compreenda porque a escondi debaixo da cama… dentro dos caixotes…

O longo casaco preto parece querer voar porta fora e levar-me consigo para as ruas.
Meu companheiro de longas caminhadas!
Convence-me.
Levanto-me da cama e sigo, descalço, até à janela…
Espreito através da persiana entreaberta…
As ruas estão limpas. Vou sair.
Antes de sair volto-me para me ver deitado uma vez mais…

O pavio consumido.
O incenso consumido.
Escuridão total. Fim da dança.
No ar… silêncio e putrefacção.

Ariel d’Angoulême