Sunday, May 27, 2007

Revolvendo o baú arcaico - III
"Despretensioso"
Será cúmulo ou decadência?
Será padecimento ou dor?
Se tamanha chama me enegrece…
Será aversão? Será amor?

Ariel d'Angoulême

Friday, May 18, 2007

A Dying Wish
Homenagem a uma amiga - 2ª parte
“Ao futuro…”

Deixou para trás o tempo… responsável pela agitação que se processou lentamente nos olhos de quem soube ver… Nos corações de quem soube sentir…
Deixou em nós a necessidade do seu regresso…

A morte. A arte. Não é para todos…
Como é dilacerante saber que seres tão brilhantes terão de perecer como todos os restantes! Ainda que essa possa representar a maior alegria de um ser.

“Foi sem dúvida a melhor…; Incrível…; Ali reside um imenso talento…”

Tudo verdades… Tudo tão pouco…


.................



A sua entrada foi gradual…
Aproximou-se do palco, afastou-se… uma e outra vez…
O palco encolhia á medida que ela se aproximava e quando finalmente colocou o pé sobre o primeiro degrau, o palco desapareceu definitivamente.
Tinha chegado a hora.

O corpo agitado… A tragédia… A morte… A arte…
A pessoa… A personagem…
A voz enérgica semeando justeza… encantadora…
O olhar de uma certeza incontestável…
A pessoa? A personagem? A vida?
Se a representação é uma grande metáfora, todos encaramos a realidade naquele momento.
Quanta dor!


.................



(Silêncio! Palavras que existem são insuficientes…)
(Silêncio! Palavras que não existem não podem ser escritas…)


.................



A peça… próxima do final…
Desceu os degraus… E enquanto se afastava:
“E se eu morrer antes do tempo, direi que isso é uma vantagem. Quem vive no meio de tantas calamidades como eu, como não há-de considerar a morte um benefício?”

Assim se despediu do palco… Assim se despediu de nós…


.................



… Final da peça mas não da vida…
Deixo aqui um momento maravilhoso que não irei esquecer nunca:

Entre aplausos, estupefacção, olhares insinuando vénias… surge do meio da plateia uma criança que corre para os braços de uma Pessoa.
A criança soube abraçar a verdadeira arte: A realidade.
A inocência permite-lhe a verdade.
A criança não usou de palavras. Limitou-se a “abraçar”.
Significou tanto!
E esse foi o momento em que me rendi completamente ao entusiasmo…


Mas… o que aqui deixo são palavras minhas…
Tudo verdades… Tudo tão pouco…

Ariel d’Angoulême

Tuesday, May 15, 2007

...Em ruínas...
Fico admirado quando alguém, por acaso e quase sempre sem motivo, me diz que não sabe o que é o amor.
Eu sei exactamente o que é o amor.
O amor é saber que existe uma parte de nós que deixou de nos pertencer.
O amor é saber que vamos perdoar tudo a essa parte de nós que não é nossa.
O amor é sermos fracos.
O amor é ter medo e querer morrer.



Todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada.
Ficaram só os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da morte.
Os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e foram demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como lágrimas.
Sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, em cada hora, não irei negar isso.
Não irei negar nunca que te amei. Nem mesmo quando estiver deitado, nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a foder.

José Luís Peixoto