A Dying Wish
Homenagem a uma amiga - 2ª parte
“Ao futuro…”
Deixou para trás o tempo… responsável pela agitação que se processou lentamente nos olhos de quem soube ver… Nos corações de quem soube sentir…
Deixou em nós a necessidade do seu regresso…
A morte. A arte. Não é para todos…
Como é dilacerante saber que seres tão brilhantes terão de perecer como todos os restantes! Ainda que essa possa representar a maior alegria de um ser.
“Foi sem dúvida a melhor…; Incrível…; Ali reside um imenso talento…”
Tudo verdades… Tudo tão pouco…
.................
A sua entrada foi gradual…
Aproximou-se do palco, afastou-se… uma e outra vez…
O palco encolhia á medida que ela se aproximava e quando finalmente colocou o pé sobre o primeiro degrau, o palco desapareceu definitivamente.
Tinha chegado a hora.
O corpo agitado… A tragédia… A morte… A arte…
A pessoa… A personagem…
A voz enérgica semeando justeza… encantadora…
O olhar de uma certeza incontestável…
A pessoa? A personagem? A vida?
Se a representação é uma grande metáfora, todos encaramos a realidade naquele momento.
Quanta dor!
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(Silêncio! Palavras que existem são insuficientes…)
(Silêncio! Palavras que não existem não podem ser escritas…)
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A peça… próxima do final…
Desceu os degraus… E enquanto se afastava:
“E se eu morrer antes do tempo, direi que isso é uma vantagem. Quem vive no meio de tantas calamidades como eu, como não há-de considerar a morte um benefício?”
Assim se despediu do palco… Assim se despediu de nós…
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… Final da peça mas não da vida…
Deixo aqui um momento maravilhoso que não irei esquecer nunca:
Entre aplausos, estupefacção, olhares insinuando vénias… surge do meio da plateia uma criança que corre para os braços de uma Pessoa.
A criança soube abraçar a verdadeira arte: A realidade.
A inocência permite-lhe a verdade.
A criança não usou de palavras. Limitou-se a “abraçar”.
Significou tanto!
E esse foi o momento em que me rendi completamente ao entusiasmo…
Mas… o que aqui deixo são palavras minhas…
Tudo verdades… Tudo tão pouco…
Ariel d’Angoulême