Vivo estático...
Um gesto simples: Abri os olhos…
Encontrei-me num aperto que sempre considerara familiar.
Ainda assim, não o desejara… Não agora…
Não. Não cheguei a morrer…
Fora colocado aqui sem sequer ter tombado…
Vivo a sete palmos… Vivo continuarei…
Estático. Tomando o significado, dimensão e peso do tempo…
Condenado à eterna escuridão, desisti de me debater…
E deixei que a utópica morte se processasse lenta sem direito ao último suspiro…
Sonharei até ao dia em que venham retirar-me desta caixa…
Até lá… comerei os vermes…
Ariel d’Angoulême

