Wednesday, February 28, 2007

A casa... O (espí)rito...
Licor amargoso… Brotando… Fluindo…
Memorizo a cadência… é permanente…
Gotas que rolam e caem… Erro meu!
Deixo rolar gotas com nome de gente…

Fervilha o sangue… Pulsam as veias…
Desamparado! De novo na bruma…
Aquela melodia que não pára…
O mar que, lá fora, se desfaz em espuma…

O silêncio devassado pela brisa…
Bafeja um murmúrio que me acalma…
“Oh, doce lembrança! Incenso humano
Queimado no tapete que já foi cama…”

Surgindo das ruínas, os fantasmas desta casa
Lançam-se pelo chão sem ofender a vera morte,
Tão possessos quanto eu – mentes lascivas…
Entregam-se ao prazer louco que gera vidas…

Fervilha o sangue… gotas… licor amargo…
Murmúrios, memórias, amor… Perto do fim!
Lá fora, mais uma onda que quebra e gera voz:
“Vieste eternizar o sonho? Voltar para mim?”

“Desta vez o tempo é nosso. Nada me resta…
E assim cesso de mim… de continuar…
O chão frio aguarda. Deita-te comigo
Não consintas que me volte a levantar...”

Ariel d’Angoulême

Friday, February 23, 2007

No embalo do fim...
É curiosa a quantidade de questões que julgamos ter julgado bem…
Terão sido?
Obtemos lucidez quando contrariamos a certeza de que estaríamos errados em determinada altura da nossa vida…
E essa foi sempre a altura perfeita para nos enterrarmos mais na cova funda…
Não estamos certos quando estamos certos, mas quando temos a certeza de que não estamos certos quanto ao facto de provavelmente estarmos errados…
Alguém há-de entender isto e explicar-me por palavras mais simples!
Façam-no, por favor!
O que é certo afinal?
Por agora estou morto…

A vida é oportuna… Tanto para o bem como para o mal… Valha-nos isso…
Agradeço a cada fim pelo sofrimento que a cada dia me adorna de aprendizagem…
Agradeço ao ódio que me cega de verdade. Verdade! Minha? Cego…
É o ódio?
Como odeio estes dias!
Como são comuns!

Encha-me o copo novamente.
Por agora estou morto…

Querem saber em quantos actos se divide uma tragédia?
Tão fácil! Quantos actos suportam?

Acto 1: Dúvida
A dor da incerteza… pela razão ou pela falta desta…
O custo de viver certos momentos é inexplicável de tão incómodo…

Acto 2: Acreditam se disser: “Dúvida”?
Causa! Alguém a designou causa?
Ah, o corpo vibra sem motivo aparente?
Não é possível aquietá-lo?

Acto 3: Ahahahahahah! – Dúvida (isto é surpreendente)
Vá, um esforço. Aguenta… Não me vais chorar aqui, pois não?
Queres mesmo chorar?

Acto 4: Verdade… Será? Hmmmm….
Certeza de que o errado afinal era certo?

Acto 5: Meus senhores, sou tão transparente!

Serão 5 actos suficientes?
Nietzsche, ajuda-me!

Encha-me o copo!
Até à risca??? Por favor! O copo não termina na risca.
Encha-o todo…
Por agora estou morto…

Querem saber o que é sonhar?
Tão fácil!
Sonhar é tudo aquilo que metamorfoseia a vida em morte.
Não acreditam? Continuem a sonhar…

A música:
“It’s over now, I’m cold, alone
I’m just a person on my own
Nothing means a thing to me
Oh, nothing means a thing to me”

Amanhã procurarei saber quem é o autor da letra que hoje se me parece tão adequada…
Raios! Soa mesmo bem!

Sim, vai ser outro…
Até cima. Obrigado…

Querem saber o que é a dor?
Já a sentiram? Claro que sim!
Somos uma raça dos diabos!
E o ódio? Já o referi?
Oh! Sinto tanto a vida… … … … … esfumar-se…
O fio cinza-fumo! O fumo… fumo… desaparece…
Os cigarros assemelham-se a sonhos:
O tempo vai falecendo… e o cigarro consome-se lentamente… mesmo à nossa frente…
E do que tentamos sorver desse “sonho” só resta a ilusão de que o tivemos em nós…
Subitamente, esmagamos o resto desse sonho contra o cinzeiro…
Sim. Somos nós, os responsáveis. Acreditámos à partida…

As coisas que nunca irei saber!
As coisas que nunca quis saber!
“Sou o que sou… Alguém terá de ser!”

A vida?
Por agora estou morto…

A conta, por favor


Ariel d’Angoulême

Tuesday, February 20, 2007

02:47 - I'm still...
Pintura de Paulo Henriques

A dream within a dream
Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.
I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep - while I weep!
O God! can I not grasp
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?

Edgar Allan Poe

Sunday, February 18, 2007

Exordium

“Desde a primeira luz
Estiveste a meu lado
Como símbolo perfeito
De perigo e rebeldia.
Hierática no teu abismo
Com a suave atracção
De tudo o que é ignorado
Foste o maior desafio.”

Justo Jorge Padrón

Tuesday, February 13, 2007

Day of the damned...
Porque hoje lancei mais uma rosa ao vento...

Ariel d'Angoulême

Wednesday, February 7, 2007

Espelho meu, espelho meu... Existe alguém?!?!?

Aproximo-me…
De novo em frente ao grande espelho...
Aproximo-me mais… Tento esquecer o medo...
Tento esquecer a todo o custo o medo de não conseguir ver…
Aproximo-me mais…
Começa a tecer-se a verdade…
O ar que em mim se passeia solta-se a cada exalação e corre instintivamente para esse espelho…
O ar agarra-o, firma-se nele como uma elegante camada de nada…
O ar vaporoso sufoca, apropria-se do espaço, subtrai espaço ao meu corpo.
O ar que foi meu e não sou eu…
O ar fixa-se… O ar camufla todo o meu corpo… camada sobre camada…
O ar que escondi em mim esconde-me em si…
Esconde-me de mim…
O ar tece a verdade a cada exalação…

Estou vivo e respiro…

Já não me vejo nitidamente frente ao grande espelho…
Apenas camadas… camadas… camadas…
A verdade…
Camadas… camadas… camadas…
Distorcido…
Camadas… camadas…
Desfocado…
Camadas… camadas…
Eu…
Camadas…

O meu eu extinto conhecer-me-ia…
Estou vivo e respiro…

A cada exalação reconheço que me desconheço…
A verdade…
Não sou eu… mas eu…
Sou eu quem respira dia a dia…
Sou eu quem não vê o ar que me cerca e se faz de mim…
O ar que sou eu aos olhos baços da multidão…
Desconheço-me porque dizem conhecer-me…

Quando deixar de respirar… e passar tempo…
Tal qual um espelho desembaciando… gradualmente…
Tal qual um espelho que reproduz o mundo de forma (aparentemente) fidedigna…
Descobrirão que eu nunca fui eu… Nem eu…

Estou vivo e respiro o mesmo ar que vós…
Camadas… camadas… camadas…

Ariel d'Angoulême

Monday, February 5, 2007

Through the day of my destiny's over...
I

Through the day of my destiny's over,
And the star of my fate hath declined,
Thy soft heart refused to discover
The faults which so many could find;
Though thy soul with my grief was acquainted,
It shrunk not to share it with me,
And the love which my spirit hath painted
It never hath found but in thee.
II

Then when nature around me is smiling,
The last smile which answers to mine,
I do not believe it beguiling,
Because it reminds me of thine;
And when winds are at war with the ocean.
As the breasts I believed in with me,
If their billows excite an emotion,
It is that they bear me from thee.

III

Though the rock of my last hope is shiver'd,
And its fragments are sunk in the wave,
Though I feel that my soul is deliver'd
To pain - it shall not be its slave.
There is many a pang to pursue me:
They may crush, but they shall not contemn;
They may torture, but shall not subdue me
'Tis of thee that I think - not of them.

IV

Though human, thou didst not deceive me,
Though woman, thou didst not forsake,
Though loved, thou forborest to grieve me,
Though slander'd, thou never couldst shake;
Though trusted, thou didst not disclaim me,
Though parted, it was not to fly,
Though watchful, 'twas not to defame me,
Nor, mute, that the world might belie.

V

Yet I blame not the world, nor despise it,
Nor the war of the many with one;
If my soul was not fitted to prize it,
'Twas folly not sooner to shun:
And if dearly that error hath cost me,
And more than I once could foresee,
I have found that, whatever it lost me,
It could not deprive me of thee.

VI

From the wreck of the past, which hath perish'd
Thus much I at least may recall
It hath taught me that what I most cherish'd
Deserved to be dearest of all:
In the desert a fountain is springing,
In the wide waste there still is a tree,
And a bird in the solitude singing,
Which speaks to my spirit of thee.
Lord Byron