Licor amargoso… Brotando… Fluindo…Memorizo a cadência… é permanente…
Gotas que rolam e caem… Erro meu!
Deixo rolar gotas com nome de gente…
Fervilha o sangue… Pulsam as veias…
Desamparado! De novo na bruma…
Aquela melodia que não pára…
O mar que, lá fora, se desfaz em espuma…
O silêncio devassado pela brisa…
Bafeja um murmúrio que me acalma…
“Oh, doce lembrança! Incenso humano
Queimado no tapete que já foi cama…”
Surgindo das ruínas, os fantasmas desta casa
Lançam-se pelo chão sem ofender a vera morte,
Tão possessos quanto eu – mentes lascivas…
Entregam-se ao prazer louco que gera vidas…
Fervilha o sangue… gotas… licor amargo…
Murmúrios, memórias, amor… Perto do fim!
Lá fora, mais uma onda que quebra e gera voz:
“Vieste eternizar o sonho? Voltar para mim?”
“Desta vez o tempo é nosso. Nada me resta…
E assim cesso de mim… de continuar…
O chão frio aguarda. Deita-te comigo
Não consintas que me volte a levantar...”
Ariel d’Angoulême





